Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de maio, 2020

Azul Lilás

Texto de Beatriz Margem Clique aqui para ouvir a história (narração: Clara Meira)      Passou a repetir aquele momento todos os dias no mesmo horário. Quase como um ato solene. Não importando o que estivesse fazendo, parava.      Porque Alice gostava de se deitar no chão e sentir a chegada da noite, a mudança das cores. As tonalidades da luz. A transmutação do som e dos cheiros, o sentido de indefinição do momento.       Nem noite, nem dia. Nem claro, nem escuro. Nem quente, nem frio.       Pensava absorta em devaneios.      Com as luzes apagadas, quando a noite já havia invadido pela janela, ainda deitada sobre o chão que esfriava, esbarrou com a cabeça em um lápis caído.     Aproveitou aquela sensação de liberdade, tão preciosa naquele tempo de rareamento de boas notícias, e deixou palavras soltas repousarem sobre o papel.      Entre rabiscos desenhados, olhou as pala...