Texto de Beatriz Margem Clique aqui para ouvir a história (narração: Clara Meira) Passou a repetir aquele momento todos os dias no mesmo horário. Quase como um ato solene. Não importando o que estivesse fazendo, parava. Porque Alice gostava de se deitar no chão e sentir a chegada da noite, a mudança das cores. As tonalidades da luz. A transmutação do som e dos cheiros, o sentido de indefinição do momento. Nem noite, nem dia. Nem claro, nem escuro. Nem quente, nem frio. Pensava absorta em devaneios. Com as luzes apagadas, quando a noite já havia invadido pela janela, ainda deitada sobre o chão que esfriava, esbarrou com a cabeça em um lápis caído. Aproveitou aquela sensação de liberdade, tão preciosa naquele tempo de rareamento de boas notícias, e deixou palavras soltas repousarem sobre o papel. Entre rabiscos desenhados, olhou as pala...
Contos inspirados em histórias vividas e ouvidas durante a quarentena do COVID-19, e algumas histórias do imaginário